Foram realizados trabalhos de desmatação da vegetação infestante, identificou-se a área com vestígios arqueológicos ainda visíveis e procedeu-se ao registo e leitura arqueológica do local.
A desmatação permitiu a observação mais clara do imóvel e da sua envolvente, fazendo surgir algumas evidências que auxiliaram a continuidade dos trabalhos.

Realizaram-se três sondagens: uma no interior da torre, uma segunda na plataforma superior e uma última na plataforma inferior.
Limparam-se, igualmente, os muros defensivos, revelando uma técnica construtiva que envolveu aparelho regular, de alvenaria de xisto e quartzito, interrompido, pontualmente, por afloramentos rochosos e preenchido, no interior, por pequenos fragmentos de xisto.
Na plataforma inferior, o muro que sustém as respetivas terras prolonga-se para sul, desaparecendo pelos sucessivos desabamentos da plataforma superior, segundo revela o relatório arqueológico.
A sondagem interior, de 120 por 120 centímetros, junto às paredes do vértice nordeste, revelou a seguinte estratigrafia:
Camada 0.0 – Manta morta sob terra solta com raízes e pedras;
Camada 0.1 – Camada de argamassa solta de cor acinzentada;
Camada 0.2 – Terra de cor castanha, com pedras e nódulos de argamassa;
Camada 0.3 – Terra mais fina de cor castanha; estrato rochoso.
A segunda sondagem, na plataforma superior, junto à face interior do muro do lado nordeste, de 200 por 200 centímetros, permitiu encontrar a seguinte estratigrafia:
Camada 0.0 – Camada superficial, terra de tom cinzento-escuro, com muitas raízes, pedras miúdas e areia;
Camada 0.1 – Terra muito preta, com muitas pedras de grande porte;
Camada 0.2 – Terra de tom castanho, com muitas raízes e muitas pedras de pequenas e médias dimensões;
Camada 0.3 – Terra muito preta, homogénea, com muitas pedras de grandes e médias dimensões;
Camada 0.4 – Terra de tom castanho-escuro, homogénea e compacta;
Camada 0.5 – Terra de tom castanho amarelado, barrenta, muito compacta.
A desmontagem de algumas pedras de derrube evidenciou a existência de um muro retilíneo, orientado de sul para norte, sendo apenas visível por uma face, já que a outra se encontra muito destruída.
No muro defensivo ficou provada a existência de uma muralha primitiva, correspondente ao muro mais baixo, identificado pelo exterior, prolongando-se para o interior, numa largura de cerca de 150 centímetros, sobre o qual terá sido construído um outro muro, mais estreito, com cerca de 50 centímetros de largura.

A última sondagem, efetuada do lado norte, junto ao muro da plataforma inferior, revelou uma camada de terra homogénea, de cor muito escura, com muitos fragmentos de barro avermelhado, à mistura com pequenos fragmentos de cerâmica fina, de cor preta. A sondagem ficou incompleta pelo aparecimento de uma bancada quartzítica, a oeste, que diminuiu a área de trabalho.
O trabalho arqueológico inventariou 419 fragmentos de cerâmica doméstica, nomeadamente 41 bordos, 12 fundos, 31 decorados, quatro asas e 331 sem forma. A análise destes fragmentos revelou pastas homogéneas com quartzos de tamanho médio e pequeno, mica branca e preta, perfeitamente visíveis nas superfícies.
A cozedura é, maioritariamente, redutora, com alguns exemplos de cozedura tendencialmente oxidante ou consequência de óxidos de ferro. O acabamento é manual, as superfícies internas são, frequentemente, desprovidas de alisamento e as externas são, na sua maioria, rugosas, defende o referido relatório. A fuligem que surge em vários fragmentos revela a sua utilização sobre o fogo, até porque a maioria serão panelas.
Surgiram, ainda, vários objetos metálicos de ferro, nomeadamente uma faca/foice, um prego, uma ponta de seta e um fragmento de uma eventual haste de ponta de seta.